Construindo Raízes e Produtividade
Tecnologia, planejamento e correção de solo que impulsionam resultados no campo
O programa Fertialfa, desenvolvido pela Cooperalfa em 2007, tornou-se uma das principais iniciativas de manejo e correção de solo entre produtores associados. A proposta nasceu da necessidade de oferecer uma estratégia acessível de agricultura de precisão para pequenos e médios, que até então não encontravam metodologias compatíveis com suas realidades produtivas.
O coordenador agrícola da Cooperalfa, Claudiney Turmina, relembra que, no início, o projeto era desenvolvido de forma “artesanal”, com coletas manuais e aplicações feitas com equipamentos disponíveis nas propriedades. Após avaliações de diferentes metodologias, chegou-se a um modelo híbrido, simples e acessível a produtores de todos os portes.
A evolução foi rápida. Atualmente, o Fertialfa contabiliza 82 mil hectares mapeados e mais de 120 mil toneladas de calcário aplicadas desde 2020, ano em que a cooperativa adquiriu o primeiro caminhão com sistema de taxa variável. Hoje, a frota soma seis caminhões equipados com tecnologia de ponta. “O reconhecimento da diretoria e o investimento contínuo reforçam a credibilidade do programa. A adesão cresceu porque o produtor percebeu o resultado. Quem entra no programa, permanece”, destaca Claudiney.
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Correção de solo: processo contínuo e de longo prazo
O coordenador enfatiza que os primeiros efeitos costumam aparecer após três a quatro anos, devido ao tempo que os corretivos levam para agir no perfil do solo. Ele destaca: “Não vendemos um sonho. Ofertamos uma técnica de construção de fertilidade, que exige tempo”.
A explicação técnica reforça que o calcário desce aproximadamente 1 centímetro por ano quando aplicado à superfície. Os problemas de alumínio em profundidades maiores podem levar décadas para serem totalmente neutralizados e a raiz sofre limitações graves em solos ácidos, o que reduz drasticamente o aproveitamento de nutrientes como fósforo, potássio, cálcio e magnésio. O especialista aponta que até 80% do fósforo aplicado pode ficar indisponível em solos com pH próximo de 5, aumentando custos e reduzindo a produtividade.
Os três pilares
O programa atua em três pilares. Na química do solo, trabalha a correção de pH, o manejo dos nutrientes e a aplicação de calcário e gesso conforme o diagnóstico da área. No aspecto físico, orienta práticas de conservação, como o terraceamento e técnicas modernas de manejo. Já o pilar biológico estimula a atividade microbiana, fundamental para o equilíbrio e a saúde do solo. “Um solo doente significa propriedade com risco financeiro”, explica.
Segundo o líder do programa, Leandro Schuster, o Fertialfa tem ganhado espaço porque trabalha “com realidade e sustentabilidade”. O programa atende todas as regiões da Cooperalfa, com maior adesão em áreas de perfil agrícola mais consolidado, mas é aberto a qualquer produtor.
Com a alta procura, o planejamento tornou-se indispensável. Para 2026, a previsão inicial é aplicar 45 mil toneladas de corretivos, número que poderá aumentar conforme novas adesões. “Para participar, o primeiro passo é procurar a unidade da Alfa. A partir daí, programam-se as coletas, análises e mapeamentos, organizando os cronogramas conforme a disponibilidade das equipes e equipamentos”, explica Schuster.
Ele reforça que o foco está na qualidade da aplicação: “Se quiséssemos apenas números, faríamos muito mais toneladas. Mas priorizamos a eficiência técnica”. As análises de solo são feitas em parceria com a Epagri, com custo repassado sem lucro para o produtor.

Resultados e impactos na produtividade
Embora a produtividade dependa de múltiplos fatores como: clima, genética e manejo, a correção do solo tem papel decisivo. Estudos apontam que 40% da produtividade vem do clima, 20% da genética e 40% das tecnologias aplicadas. A correção adequada melhora o desenvolvimento radicular e aumenta a capacidade das plantas de explorar água e nutrientes, especialmente em períodos de veranico.
Continuidade: o segredo para o sucesso
O manejo precisa continuar mesmo após a construção do perfil do solo. A manutenção tem custo menor, mas não pode ser interrompida. Claudiney reforça: “Comecem nem que seja por 1 ou 5 hectares. Sigam o protocolo, meçam e acompanhem. O solo devolve e multiplica o investimento”.
Produtor destaca ganhos de produtividade
O produtor José Bortolusi, de Xanxerê, é um exemplo dos resultados alcançados com o programa. Há mais de 12 anos ele adotou a agricultura de precisão como estratégia para melhorar eficiência e produtividade. Antes da parceria com a Alfa, o trabalho era feito com terceiros e não oferecia a precisão necessária. “As aplicações não eram 100% em taxa variável. Isso limitava muito a correção de solo”.
Com a chegada dos caminhões próprios da cooperativa, a realidade mudou. “Foi muito proveitoso. Passamos a fazer uma aplicação realmente eficiente, atendendo necessidades específicas da nossa região”, disse José.
Entre os principais benefícios, o produtor destaca a economia de insumos e o aumento da produção. “Corrigimos exatamente onde precisava. E isso refletiu no resultado”. Ele recomenda a tecnologia a outros produtores. “Não é imediato. Mas depois de três ou quatro anos, você começa a colher muito melhor”. José também reforça os cuidados necessários durante o processo: “Os técnicos fazem todo o diagnóstico, interpretação e recomendação. Nosso papel é acompanhar a aplicação para garantir que tudo saia como planejado e os resultados aparecem”.
Assessoria de Imprensa Cooperalfa