Vem aí as embalagens comestíveis

Publicado em 12 de junho de 2017

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Transformar excedentes de alimentos como cogumelos, algas, leite e pele de tomate em substitutos comestíveis para plásticos está entre um dos mais novos desafios para pesquisadores e indústrias.

As empresas não buscam apenas recipientes biodegradáveis, mas embalagens comestíveis, mesmo que o sabor não seja o mais apurado. Nestlé e Danone anunciaram recentemente um projeto conjunto para fazer garrafas de água a partir de madeira.

Uma equipe Departamento de Agricultura americano, em seu laboratório de pesquisa em Wyndmoor, Pensilvânia, desenvolveu um material à base de proteína do leite que pode ser usado para forrar caixas de pizza, embalar queijo ou criar pacotes de sopa desidratada que podem ser simplesmente acrescentados à água quente.

O projeto surgiu do interesse do departamento em encontrar uma maneira de utilizar parte de seu estoque de leite em pó; o consumo do leite in natura diminui consistentemente há anos, mas os subsídios federais mantêm a produção contínua da indústria de laticínios.

O Centro Agrícola e Florestal Merck, grupo ambiental sem fins lucrativos em Rupert, Vermont, que se sustenta com a venda de xarope de bordo, enfrentou um dilema próprio. “Tínhamos um despesa enorme para fazer o xarope, gastávamos outro tanto para obter a certificação orgânica – e aí distribuíamos o produto usando um monte de plástico. Era um absurdo”, disse Tom Ward, ex-diretor executivo do centro, referindo-se aos contêineres e aos pellets de espuma usados para despachar as encomendas.

Então, nos últimos dois anos, o grupo começou a enviar o xarope em frascos de vidro embalados em um material moldado feito de cogumelos. “Você pode literalmente separá-lo e adicioná-lo à sua compostagem, que será utilizada em suas roseiras. Acho que o que estamos fazendo é um microcosmo do que está por vir em termos de produtos que sejam sustentáveis do começo ao fim”, disse Ward.

Essa embalagem feita de cogumelos é uma invenção da Ecovative, uma empresa de design em Green Island, Nova York. “Estudei engenharia mecânica e, como estava trabalhando em turbinas, sempre tinha em mente as coisas que vi na minha infância em uma fazenda em Vermont. A biologia é de fato a melhor tecnologia disponível, e começamos a pensar em células mais como máquinas vivas”, disse Eben Bayer, um dos fundadores.

Ao longo dos últimos anos, governos vêm silenciosamente financiando o desenvolvimento de embalagem a partir de alimentos. A União Europeia, que apoiou um projeto para desenvolver revestimentos feitos com a proteína do soro do leite e com batata de 2011 a 2015, estima que o mercado global para os chamados bioplásticos está crescendo quase 30 por cento ao ano.

No entanto, colocar esses produtos no mercado é um desafio. “O Departamento de Agricultura americano, por exemplo, tenta despertar o interesse por um produto à base de proteína do leite há mais de uma década, mas não encontra ninguém interessado”, disse Tomasula. O custo e o fato de que era suscetível à umidade dificultou as vendas.

“Plásticos filme comestíveis estavam começando a ser produzidos na época e havia um monte de gente trabalhando com isso, mas o desperdício de alimentos e a segurança alimentar não eram grandes problemas então, e ninguém parecia notá-los”, disse ela.

Os tempos mudaram. Mike Lee, fundador da Future Market, empresa de previsão de tendências, está de olho nesses produtos, como a embalagem de queijo. “Eu até posso ver um supermercado livre das embalagens convencionais um dia”, disse Lee.

Mas ele sabe que há obstáculos. “Mesmo que esses produtos sejam importantes, enquanto ninguém se dispuser a usá-los em grande escala, são apenas ciência à procura de uma aplicação.”

Grandes empresas como a PepsiCo e a Nestlé estão hoje mais interessadas do que anos atrás, instigadas pelos consumidores que cada vez mais se conscientizam de que o alimento que consomem e sua embalagem podem prejudicar o meio ambiente, porém continuam céticas.

“Algumas coisas são complicadas. São ideias boas, mas nunca terão um custo competitivo ou, em última análise, não têm o impacto em termos de resíduos ou do meio ambiente prometido por seus produtores”, disse David Strauss, chefe de operações de embalagem da Nestlé americana.

E também há a questão da segurança alimentar: a Nestlé diz que não quer que sua demanda por embalagens reduza o fornecimento de comida, dada a fome generalizada. “Não dá para empacotar nossos produtos em uma embalagem que poderia ter sido usada para alimentar as pessoas”, disse Strauss.

Fonte: Gazeta do Povo (editado)




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